Nikko

Um resort de inverno repleto de santuários

A duas horas de Tóquio está Nikko, que chama atenção pela grandiosidade da sua natureza, estampada em paisagens verdes com campos de arroz, florestas, plantações e lagos, bem como a quantidade de santuários espalhados pelo local. É um destino bastante procurado pelos japoneses no outono e inverno, uma vez que está localizado no interior, mais especificamente nas montanhas da província de Tochigi. O toque histórico fica por conta dos festivais realizados durante a primavera e outono, com procissões onde os participantes desfilam em trajes da era feudal. Uma das principais atrações é o Parque Nacional de Nikko, com uma área de 134,5 mil hectares e um magnífico cenário composto por lagos, rios, cascatas, planaltos e uma floresta virgem. Nele está o Lago Chuzenji, formado a partir da cratera inundada de um vulcão, que dá origem a uma das maiores quedas d’água do Japão, a cachoeira Kegon, a qual fica congelada no inverno, produzindo um efeito de rara beleza ao cenário. À margem nordeste do lago está Chuzenji Onsen, com diversas lojinhas de souvenirs, restaurantes e acomodações no estilo japonês com banhos de termas, de onde andando por 15 a 20 minutos chega-se ao Templo Chuzenji ou Tachiki Kannon, residência da famosa estátua da deusa de mil braços.
E por falar em templos, Nikko é conhecida pelo Santuário Toshogu, dedicado a Tokugawa Ieyasu, cuja família tem grande na história do Japão. Dizem que seu último desejo era que um dos seus sucessores construísse um santuário na cidade, e assim foi feito; a construção foi entregue em 1636 por Iemitsu, seu neto (que também ganhou um mausoléu em sua homenagem, chamado Taiyuinbyo), e o corpo de Ieyasu, enterrado sob a construção. Em uma mistura de arquitetura budista e xintoísta, já na entrada é possível se deparar com um enorme tori feito em pedra e um pagode de cinco andares, com 35 metros de altura. Próximo ao segundo portal (Niomon), está a célebre escultura dos três macaquinhos - Mizaru, Kikarazu, Iwazaru, que representam respectivamente, “não ver o mal, não ouvir o mal e não falar o mal”. Andando por dez minutos a partir do Santuário chega-se ao Jardim Botânico de Nikko, em uma área de 13 mil metros quadrados, e com 3 mil tipos de flora alpina. Próximo ao jardim está o Museu de Nikko, cujo telhado é feito de cobre e no passado foi uma residência imperial, tem expostos diversos objetos ligados à natureza e à cultura do Parque Nacional de Nikko. A mais antiga estrutura de Nikko, datada de 767 é o Futarasan Shrine, localizado entre o Santuário Toshogu e o Mausoléu Daiyuin, que consiste em um santuário dedicado aos espíritos dos três santos das montanhas.
O Templo Rinnoji se destaca pelo Sambutsudo, hall principal onde estão dispostas três gigantescas estátuas de Buda: o Kannon dos Mil Braços à direita, Amida no centro e o Bato Kannon à esquerda. No lado noroeste está Sorinto, um pilar de bronze que abriga dez mil sutras sagradas (escrituras tratadas como registros dos ensinamentos orais de Sidarta Gautama, o Buda). Um dos lugares mais fotografados da cidade sem dúvida é a Shinkyo Bridge, uma linda ponte vermelha com 28 metros de extensão e 7 de largura, localizada sobre o Rio Daya, e que separa a área onde estão localizados os santuários. Em tempos feudais, apenas o “shogun” (espécie de ditador militar) tinha a permissão para atravessá-la, e hoje ela é aberta ao público apenas na época dos festivais do Santuário Toshogu. Outra importante construção do tipo é a Kinu Tateiwa Otsuribashi, ponte suspensa de 140 metros de extensão construída em 2009 sobre o rio Kinugawa, região dos “onsens” (águas termais japonesas), ligando Nikko a uma formação rochosa gigantesca chamada Tateiwa, por onde é possível fazer uma pequena trilha. É muito comum encontrar pelas ruas de Nikko os Namonaki Resutoran, restaurantes simples, caseiros, sem nome na porta e grandes atrativos, mas que normalmente oferecem uma deliciosa comida caseira por um preço bastante justo, como se você estivesse na casa de um dos moradores da cidade.