Hiroshima


Aqui é impossível não se emocionar

Conhecida mundialmente como “a cidade da paz”, Hiroshima é o maior território na extremidade ocidental de Honshu, a maior das quatro principais ilhas que formam o Japão, de renascimento miraculoso após o episódio da bomba atômica durante os estágios finais da Segunda Guerra Mundial, tornando-se uma moderna e próspera cidade com mais de 1 milhão de habitantes, além de um importante centro de administração, educação, comunicação e turismo na região à qual pertence. E o seu principal ponto turístico não fica propriamente na cidade. Como isso é possível? A Ilha Miyajima, localizada na Baía de Hiroshima e a 10 quilômetros do município, é considerada sagrada pelos japoneses, uma vez que durante o bombardeio nenhum dos seus templos xintoístas e budistas foi destruído, por isso seu nome original (Itsuko-shima) significa “onde Deus reside”. Além dessas, cervos muito dóceis recebem bem de pertinho os turistas que chegam ao local, na busca por alimento e são considerados “mensageiros da paz”. Miyajima hoje tem cerca de dois mil habitantes espalhados por seus trinta quilômetros quadrados; tendo como principais templos Itsuku-shima Jinja (xintoísta) e o complexo budista Daisho In, composto por doze templos de grande ligação com a família imperial.
No centro da ilha está o Monte Misen, envolto na lenda de Kobo Daishi, que no ano de 806 passou cem dias meditando nessa montanha e acendeu uma chama que continua viva até hoje, cujo fogo foi usado para acender a chama eterna do Memorial da Paz, que será apagada somente quando houver a certeza de que armas atômicas não serão mais usadas contra a humanidade. De volta a Hiroshima, o que não se pode deixar de provar na cidade são as ostras e o saquê, principalmente porque ao seu leste está Higashihiroshima com a região de Saijo, famosa em todo o Japão pela produção de saquê. Falando sobre pontos turísticos, podemos começar pelo Castelo de Hiroshima, também chamado de Rijo (Castelo de Carpa), concluído em 1589, hoje usado como museu e parque público, bem como um mirante, proporcionando uma linda vista do porto e de Miyajima. A dez minutos dele está o Jardim Shukkeien, cobrindo uma área de 4 hectares, às margens do Rio Kobashi, que contribui para a formação da paisagem com seus pequenos lagos. Outra opção de passeio ligado à natureza é o Parque Hijiyama, situado em uma pequena colina, cuja encosta é coberta de cerejeiras, o que faz do ponto turístico muito popular na época de florescimento das árvores.
São muitos os monumentos em memória à bomba atômica e o Parque Memorial da Paz (Heiwa Koen), construído com a esperança de paz eterna, abriga todos eles em seus mais de 120 mil metros quadrados. A chegada já causa um grande impacto com o antigo prédio da prefeitura (A-bomb Dome), o único daquela época ainda de pé, com a famosa cúpula onde a bomba atômica explodiu a 600 metros de distância. Na sequência estão o Museu Memorial da Paz, construído ao redor do que foi o epicentro do ataque, que conta toda a história da bomba, e apresenta algumas recordações nada alegres, como chinelos, e até unhas de crianças. O Monumento de Paz das Crianças homenageia as pequenas vítimas, repleto de tsurus e bastante colorido, proporcionando uma certa alegria ao ambiente. Já o Cenotáfio das Vítimas da Bomba Atômica é um imenso mausoléu, onde está situado um cofre de pedra contendo os nomes das vítimas da bomba em seu interior, e à frente, um epitáfio no qual está escrito “Descansem em Paz. Nós nunca repetiremos o erro”.