Pamukkale

As incríveis piscinas naturais do “Castelo de Algodão”

Viajar é um pulo de fé perante o desconhecido. E Pamukkale definitivamente supera qualquer expectativa, a começar pela tradução da região - Castelo de Algodão. Por mais que seja um simbolismo, a primeira visão dessa montanha branca com cerca de 200 metros de altura é um choque. São cascatas e mais cascatas de águas azul-turquesa deslizando em um fundo branco, encosta abaixo. Um espetáculo mágico. É como se o monte chorasse. Vista de longe parece uma montanha congelada, coberta de neve. Porém o clima local contradiz o que os olhos enxergam, já que as temperaturas médias são de 40ºC durante o verão. Apenas ao se aproximar é possível notar que a brilhante cor branca tem outra fonte: vulcânica e geológica.
A montanha tem uma fonte de água termal, rica em carbonato de cálcio, predominantemente branco, que ao se acumular e se solidificar em mármore, forma as incríveis sacadas. Centenas delas cobrindo toda a face da montanha, ligadas pela água que corre de uma a outra em seu caminho em direção a um pequeno lago, no pé do monte. É irresistível não molhar os pés e arriscar um mergulho. As piscinas em cada platô não são profundas, mas permitem ao visitante experimentar uma sensação única, incluindo não só a visão ao seu redor, mas também o tato, já que a temperatura das águas é alta. Como é proibido o uso de calçados no parque, o próprio caminhar em um terreno tão diferente já propicia uma percepção inteiramente nova. Em 1988, a beleza natural e a importância histórica do Parque Pamukkale o transformaram em Patrimônio Mundial da Unesco. Ao lado da montanha, é possível visitar as ruínas que remontam a cidade de Hierápolis, que floresceu durante a ocupação romana da região. Em suas ruas, conviviam em harmonia os mais diversos povos: judeus, anatólios, gregos e romanos, formando uma sociedade cosmopolita e próspera. Nas encostas da montanha, o Teatro Romano ainda resiste ao tempo e mantém sua grandiosidade e imponência. Em suas arquibancadas, até 12 mil pessoas poderiam acompanhar os espetáculos.
Em outra parte do parque encontramos a Antique Pool, também conhecida como Piscina Sagrada ou Piscina de Cleópatra. Um conjunto de termas abastecidas com fontes geotérmicas naturalmente aquecidas a 35ºC. As casas de banhos eram um traço cultural presente em todo o Império Romano, porém, as águas de Pamukkale, desde aquela época, eram consideradas terapêuticas, dando à cidade a fama de centro de saúde. Ainda hoje, em todo o mundo, há diversas pesquisas sobre a eficácia da exposição a banhos ricos em minerais no tratamento de muitas doenças. O ambiente em torno das piscinas, repleto de altas palmeiras, aliado à temperatura da água, seduzem e acalmam as dores do corpo, além de renovar a alma. O fundo das termas reserva uma surpresa extra: ali estão tombadas as colunas de mármore que acompanham os banhistas há mais de dois mil anos. Não há registro histórico de que Cleópatra tenha realmente visitado ou vivido na região, mas a lenda local afirma que os banhos teriam sido construídos de presente para ela pelo então futuro Imperador Marco Antônio. Não há dúvida, porém, de que Pamukkale é um local mágico e que continuará cativando seus visitantes pelos próximos milênios.