O ponto final do Trem Transiberiano

Uma das pontas da Rota Transiberiana, Vladivostok está a mais de 9 mil quilômetros de Moscou, e com certeza quem já se divertiu bastante com o famoso jogo de conquista de territórios não esquece esse nome. Entretanto, no mapa do jogo, Vladivostok corresponde a uma área imensa, que engloba parte da Rússia mais as duas Coreias. Na vida real, é apenas uma cidade, que tem de frente para a sua estação ferroviária uma das estátuas de Lênin que estão espalhadas por toda a União Soviética e demais países pertencentes à famosa “Cortina de Ferro”, além de um porto comercial, que traz à cidade grande importância político-estratégica, uma vez que tem como vizinhos China e Coreia do Norte de um lado, e do outro, Coreia do Sul e Japão do outro. É considerada a região militar mais protegida do país depois de Moscou e capital do Primorsky Krai, servindo como base naval dos russos no Oceano Pacífico. No próprio porto está um importante monumento, ainda mais para quem se interessa por guerras e submarinos; é o S-56, museu situado dentro de um submarino, com galerias de heróis da Segunda Guerra.
Em 2012, foi realizada na cidade uma das reuniões da APEC, ou Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, bloco econômico do qual a Rússia faz parte, juntamente com outros vinte países; e para tal evento, algumas obras de infraestrutura foram executadas, como a construção da Golden Horn Bridge, ponte estaiada com 2100 metros de extensão, seis pistas, e que tem em dos seus pontos uma colina de onde é possível ter uma linda vista da região. Vladivostok é também um grande pólo estudantil, com diversos programas de graduação e mestrado em mais de quinze universidades. A parte nova e revitalizada da cidade, Sportivnaya Harbor, tem um “quê” de Puerto Madero (Buenos Aires), mas em menores proporções, com uma marina, além de bares, restaurantes. Por falar em novidade, recentemente foi inaugurada a primeira ligação ferry entre a cidade e o porto norte-coreano de Rajin, cuja viagem tem a duração de nove horas, com o propósito de atrair turistas chineses, bem como permitir que norte-coreanos trabalhem na Rússia e até mesmo transportar mercadorias.
É de ferry também que se vai à Russky Island, onde está a Ponte Russky, maior do tipo estaiada do mundo, com 1104 metros de vão livres e comprimento total de 3100 metros. Passear pela ilha Russky é como viajar no tempo, pois nela está um conjunto de habitações soviéticas, bem como uma espécie de convento e casa de padres ortodoxos. A trinta minutos de Vladivostok, mais especificamente na baía de Ussuri, está a famosa “Praia de Vidro”, cujo espaço foi usado ao longo de décadas como despejo de garrafas de vodka e cerveja, além de receber os descartes de uma fábrica de porcelana. Com o atrito da água do mar, todos esses cacos pontiagudos foram delicadamente polidos e transformados em lindas pedras coloridas, fazendo da paisagem quase que um caleidoscópio de luzes e cores, que brilha sobre a areia vulcânica no verão, e sobre a neve branca no inverno. O acesso ao local antes era restrito por conta do perigo de alguém de machucar, e assim continua, porém hoje a preocupação é que os pedaços de vidro sejam roubados, e claro, para faturar alguns rublos e mais.