Um local repleto de memórias vivas

Chamada de “cidade mais soviética da Rússia”, Volgogrado (ex-Stalingrado) é conhecida por ser rica em história, como os monumentos à épica Batalha de Stalingrado, tema de filme que leva o mesmo nome, bem como o estilo imperial Stalinista que reina no centro da cidade depois da sua reconstrução, realizada no período pós-Segunda Guerra. O Museu Panorâmico da Batalha de Stalingrado abriga documentos relacionados ao ocorrido, bem como projeções de vídeo que representam os episódios das lutas dos soldados; na Sala do Triunfo, bandeiras reais de todas as unidades são guardadas juntamente com presentes entregues à cidade, em forma de homenagem, como as réplicas das estátuas de bronze “O Beijo” e “A Fidelidade”, de Rodin, bem como a espada do rei britânico George VI. Em 2013, uma exposição com objetos pessoais dos soldados, uniformes, armas, cartas e demais documentos foi realizada em comemoração aos 70 anos da batalha na cidade, que também contou com atividades culturais e outros eventos, em memória desse acontecimento que é uma referência para Volgogrado.
Próximo ao Museu está a Casa Pavlov, um prédio de quatro andares de importância estratégica tanto para os russos como para os alemães, e que ficou conhecida após ser defendida por 58 soldados durante o período de 25 dias. Mais adiante, estão os hotéis Volgograd e Inrust, instalados em edifícios históricos, reconstituídos no pós-guerra; no pátio do Inrust está o Museu Memória, pois é o local onde foi realizada a captura do marechal alemão Friedrich Paulus. Mas para se ter uma ideia mais real da Batalha de Stalingrado, basta chegar ao pé da Mamaev Kurgan: foi nela que ocorreram as baixas mais pesadas (cerca de 1 milhão de pessoas), e o solo da colina havia sido praticamente destruído (foram encontrados cerca de 1250 lascas de metal por metro quadrado no local). Após reconstituída, o local transformou-se em um memorial de guerra, com imponentes estátuas que fazem qualquer um se arrepiar ao passar por perto delas, pois estão organizadas em uma sequência como se fosse um livro, contando toda a história da batalha - uma aléia de choupos, um largo dos heróis mortos, muros em ruínas, um lago de lágrimas, um panteão da glória militar, uma mãe de luto e o ponto culminante, a estátua Pátria-Mãe Chamando, que na época de sua construção era a mais alta do mundo (85 metros de altura), e de onde se tem uma lindíssima vista panorâmica sobre a cidade, e o rio Volga.
A colina ainda abriga uma necrópole, onde nas Valas Menor e Maior estão os restos de mais de 36 mil soldados encontrados durante as obras de reconstrução de Volgogrado no pós-guerra; e durante o evento que celebrou os 70 anos da batalha, foi inaugurada uma estrela com o nome de 17 mil soldados anteriormente dados como desconhecidos, graças a um trabalho de intensa pesquisa, realizado por um grupo de funcionários do museu e voluntários; além disso, também foi construída a Igreja Ortodoxa de Todos os Santos, para que todos que visitem o local possam acender uma vela pelos mortos na batalha, de acordo com as tradições ortodoxas. No centro da cidade, até um poste e uma árvore viraram monumentos; no poste são bem visíveis as marcas de tiros deixadas pela batalha, e a árvore, localizada na Aléia dos Heróis, um grande espaço verde da cidade, é a única que sobreviveu aos ataques, por isso ninguém se atreve a cortá-la. A primeira rua construída após a guerra foi nomeada rua da Paz (Úlitsa Mira), ótima para apreciar a bela arquitetura, bem como um planetário, localizado ao final da rua, cuja cúpula foi projetada por Vera Mukhina, famosa escultora soviética; e o principal equipamento óptico, doado pela República Democrática Alemã na ocasião do 70º aniversário de Stálin.